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Capoeira Lyrics
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NA BAHIA SE CONSAGROU

Na Bahia se consagrou e sofreu transformação
Não existe mais escravo; hoje quem joga é o patrão
Capoeira é liberdade, é luta de escravidão
Capoeira é a raiz e corpo da libertação
Ela nasceu na senzala
Se criou nas capora e nos porão
As corrente trincava, o chicote suava,
E os negro gritava na escuridão:
- Quer saber onde ela mora? Ela mora no meu coração..

ME LEVA MORENA

Eu que já lhe fiz inveja, hoje só causo pena
Eu perdi tudo que tive pelo amor dessa morena
Me leva, morena, me leva
Me leva pro seu bangalô
Me leva depressa, ligeiro
Sou prisioneiro deste teu amor
Me leva, morena, me esquece
Que o dia amanhece, galo já cantou
Me dá teu amor, teu carinho,
Que eu te faço um ninho cheinho de flor..

DECEPÇÃO (ELE É CARA-DE-PAU)

Mestre Bimba e Mestre Pastinha
Foram responsável por uma legião
Sua memória merece respeito
Merece carinho, merece atenção
Estão inventando muita capoeira
Isso é loucura, isso é besteira
Isso é demais, isso é demais
Isso é demais, isso é demais
Você fica em cima do muro
Não pula pra frente nem pula pra trás
Quando a gente pergunta o que joga
Você sai dizendo na cara de pau
Eu jogo uma capoeira
Que não é Angola nem Regional
Ele é cara-de-pau, ele é cara-de-pau
Capoeira é Angola ou Regional

VOCÊ QUER VER

Você quer ver essa roda ficar boa, morena
Você quer ver essa roda ficar boa, morena
Quem não canta, bate palma
Quem não joga, fica à toa

REI SALOMÃO

Foi o rei quem mandou, foi o rei quem mandou
Matar todo mundo que fosse de cor
Foi o rei que mandou prender
Gangazumba em Quilombo de Palmares
Foi o rei que mandou prender
Gangazumba em Quilombo de Palmares
Quando Zumbi foi chegando, ele foi perguntando:
- O que conteceu?
Um garoto sentado na pedra dizia chorando:
- Vovô já morreu. Meu irmão arrancaram a orelha
E amarraram no pau como amarra um plebeu.
Queimaram a cabana do Chico Suvino,
Mataram os menino e o Chico morreu..
O Zumbi, um guerreiro valente
Olhava pro céu e falava com Deus:
- Eu só vou ter salvação
Se eu beber o sangue do rei Salomão!

CAPOEIRA NO MERCADO POPULAR

Se você não tem nada pra fazer, você deve procurar
Vamos jogar capoeira no Mercado Popular
Vamos jogar capoeira, o lêlê
Vamos jogar capoeira, o lálá
Vamos jogar capoeira no Mercado Popular

DENDÊ

Tem dendê, tem dendê
Na cintura da nega tem dendê
No torso da nega...
A mulata bonita...
O Mercado Modelo...
Lá na curva da nega...
No Mercado do Ouro...
Lá na Bahia...

TURMA DE BIMBA

Corta pau, corta madeira
A turma de Bimba não é brincadeira
Lele ô lele ô
Olha a turma de Bimba chegou
Doze soldado correram
Esperei voltar, não voltou
Delegado me chamou
Tomou tapa também e chorou
Lele ô lele...
Chamaram o padre Agenor
Foi o único que não apanhou
O padre chegou na praça
Olhou pro céu e cantou
Lele ô lele...
Mas corta pau, corta madeira...

BATE, QUE BATE, BATE

Mestre Bimba me ensinou, ô iaiá
O jogo da capoeira
Mestre Bimba me ensinou
[A] dar martelo, dar benção, e dar rasteira
Olha o tronco de maniba (?),
Olha o tronco de maniba, ô iaiá
No jogo da capoeira
Bate, que bate, bate
Berimbau e atabaque na Ribeira...

UMA VEZ

Uma vez, perguntei a Seu Pastinha
O que era a capoeira
E ele, mestre velho, respeitado,
Ficou um tempo calado,
Revirando a sua alma
Depois respondeu com calma,
Em forma de ladainha:
A capoeira
É um jogo, é um brinquedo,
É se respeitar o medo,
É dosar bem a coragem
É uma luta,
É manha de mandingueiro,
É o vento no veleiro,
Um lamento na senzala
É um berimbau bem tocado,
É um corpo arrepiado,
Um sorriso de menininho

A capoeira
É o vôo de um passarinho,
O bote da cobra coral...
Sentir na boca
Todo o gosto do perigo,
É sorrir para o inimigo
E apertar a sua mão

A capoeira
É o grito de Zumbi
Ecoando no quilombo,
É se levantar do tombo
Antes de chegar ao chão
É o ódio,
É a esperança que nasce,
Um tapa sutil na face
Que foi arder no coração

Enfim,
É aceitar o desafio
Com vontade de lutar
A capoeira
É um barco pequenino
Solto nas ondas do mar..
Solto nas ondas do mar,
Solto nas ondas do mar..
É um peixe, é um peixinho,
Solto nas ondas do mar..
Solto nas ondas do mar,
Solto nas ondas do mar..

O SACI PERERÊ

Foi meu avô quem me disse
Que foi à Bahia e viu na Ribeira
Um moleque de uma perna só
Dançando e cantando e dando rasteira
Cabeçada e rabo-de-arraia
Martelo e armada, não é brincadeira
Na verdade acabei de crer
Que ele viu o saci jogar capoeira
Pererê, pererê, pererê
Mas como jogava o saci pererê...

O ROUBO DO GALO

Pau, pau pereira, olha o pé da laranjeira
Estava em casa, dormindo acordado
Falando acordado, e vou levantar
Roubaram meu galo, sem eu ter o galo
Procurei o galo, mas sem encontrar
Que coisa terrível, não penso
Nem ligo nem vou reclamar
A vida é difícil
Não tenho sossego e não vou encontrar
Pau, pau pereira...

QUEM FALOU MEU BEM?

Quem falou, meu bem?
Que o povo de Vila Velha
Não será mais escravo de ninguém
Nos quilombos de Palmares quem mandava era Zumbi
Grande líder, grande rei, grande cidadão em si
Comandando uma nação que só pensava em liberdade
Nas noites de lua cheia, dançava e cantava com vontade
O Zumbi era um líder que cantava muito bem
Sua nação lhe adorava, e cantava assim também:
Quem falou, meu bem? ...

CAPOEIRA NO CÉU

Moço quando eu morrer
Moço quando eu morrer
Eu não quero choro, não,
Eu quero que você bote
Um berimbau no meu caixão
Lá joga, lá joga, joga, não joga,
Lá joga, joga, não joga, lá
Joga, joga, eu vou jogar ê ê
Zum, zum, zum, zum, zum, zum,
Capoeira no céu vou jogar
Zum,zum....
Lá no céu eu vou jogar
Com Mestre Neca e Edgar
Com Chiquinho da Liberdade
Berrugado (?) e Waldemar
Mas joga lá, joga...
Se você não botar no meu caixão
Um berimbau, eu não vou lá
E delonga eu não faço
Sem meu berimbau levar
Vai joga lá, joga...

Mestre Bimba, 1899-1974

TOP

VII. QUADRAS

Iê quem foi teu mestre
Menino quem foi teu mestre
Mestre foi Salomão
Discípulo que aprendo
Mestre que dou lição
O Mestre quem me ensinou
No engenho da Conceição
A ele devo dinheiro,
Saúde e obrigação
Segredo de São Cosme
Mas quem sabe é São Damião
Camará
Água de beber
Ei Aruandê
Aia camaradinha
Ai Tamo na escola
Oia Aprendendo a ler
E carta de ABC
Ah faca de ponta
Ei sabe furar
Iê quer me matar
Ai viva Deus do céu
Aia Viva meu mestre
Iê quem me ensinou
Aiai a malandragem
Iê volta do mundo

Valha-me Nossa Senhora
Mãe de Deus, o Criador
Nossa Senhora me ajude
Nosso Senhor me ajudou
Camará
Água de beber
Ei Aruandê
Joga pra lá
E campo de mandinga
Ai é mandingueiro
Ai ele é cabeceiro
Aia sabe jogar
Aiai a capoeira
Oia Regional
Iê volta do mundo

‘Penga ontem teve aqui
Capenga ontem teve aqui
Deu dois mil réis a papai
Três mil réis a mamãe
Café, açúcar a vovó
Deu dois vintém a mim
Sim senhor, meu camará
Quando eu entrar, você entra
Quando eu sair, você sai
Passar bem, passar mal
Mas tudo no mundo é passar
Haha
Água de beber
Iê galo cantou
Olha cocorocou
Iê faca de ponta
Ah sabe furar
Ai goma de engomar
E ferro de bater
Ai água pra lavar
Ai água de beber
Aia viva Deus do céu
Iê viva meu mestre
Oia quem me ensinou
Ai a malandragem
Oia volta do mundo

Iê na minha casa
Tava na minha casa
Sem pensar, sem imaginar
Mandaram me chamar
Pra ajudar a vencer
Mas a guerra do Paraná
Haha
Água de beber
Ei Aruandê
Aia quer me vender
E ai na falsidade
Ai viva Deus no céu
Viva meu mestre
Iê quem me ensinou
Aiai na malandragem
Ai água de beber
Ai água pra lavar
Aie volta do mundo

Dia que eu amanheço
Dia que eu amanheço
Dentro de Itabaianinha
Homem não monta cavalo
Mulher não deita galinha
As freiras que tão rezando
Se esquecem da ladainha
Haha
Água de beber
Eai Aruandê
Ai quer me vender
Oie na falsidade
Ai viva Deus do céu
Iê viva meu mestre
Oia quem me ensinou
Aiai a malandragem
Iê joga pra lá
Oia joga pra cá
Iê volta do mundo

Iê tinha um vizinho
Iê tinha um vizinho
Enricou sem trabalhar
Meu pai trabalhou tanto
Mas nunca foi de enricar
Num deitava uma noite
Que deixasse de rezar
Camará
Água de beber
Iê Aruandê
E viva Deus do céu
Iê viva meu mestre
Oia quem me ensinou
Aiai a malandragem
Oia volta do mundo

VIII. CORRIDOS

Oi sim sim sim
O não não não

Ê uo não não não
O não não não
Íe uoi sim sim sim
Oi não não não
Íe uoi sim sim sim
Oi não não não
Ê uo não não não
O não não não

Eu vou dizer a meu senhor
Que a manteiga derramou
Ói a manteiga é do patrão
Mas caiu n’água, se molhou
Vou dizer a meu senhor
Que a manteiga derramou

Ói a manteiga derramou
Mas carapina de ioiô
Ói a manteiga n’era minha
Ai a manteiga de ioiô
Ói a manteiga do patrão
Mas caiu no chão, derramou
Ói a manteiga derramou
Mas carapina de ioiô
Ói a manteiga n’era minha
Ai a manteiga do senhor
Ói a manteiga do patrão
Mas caiu n’água, se molhou
Ói a manteiga do patrão
Caiu no chão, derramou
Ói a manteiga n’era minha
Ai a manteiga de ioiô
Ói a manteiga derramou
Mas carapina de ioiô

Vai você, vai você?
Ê dona Maria como vai você?
Como vai, como passou, como vai voismecê?
Ê vai você, vai você?
Ê jogue de longe que eu quero aprender
Ê vai você, vai você?
Como vai, como passou, como vai voismecê?
Ê jogue bonito que eu quero aprender
Ê vai você, vai você?
Ê como vai, como passou, como vai voismecê?
Ê vai você, vai você?
Como vai, como passou, como vai voismecê?

Menino chorou
Oh nhé nhé nhé
Ê porque não mamou
Ai cala a boca menino
Ô menino danado
Ê menino chorou
Ê menino chorou
Ê porque não mamou?
Ai cala a boca menino
Ô menino malvado
Ê menino chorou
Menino chorou
É porque não mamou
Aranha me funde(?)
Me joga no chão
Eu castigo esse nego
Conforme a razão
Íí menino chorou
Ê menino chorou
É porque não mamou
Ai cala a boca menino
Oi menino danado
Ô menino chorou
Ô menino chorou
É porque não mamou
Menino chorou
Menino chorou
Ai cala a boca menino
Oi menino danado
Ê menino chorou
Ô menino chorou
Ê porque não mamou
Ai cala a boca menino
Ê menino danado
Menino chorou

Ai ai ai
São Bento me chama
Iê São Bento me chama
São Bento me chama
Ê São Bento me chama
São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Aranha me fude
Aa me joga no chão
Eu castigo esse nego
Conforme a razão
Í o São Bento me chama
São Bento me chama
Ai São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama
Ê São Bento me chama

A cobra me morde
Senhor São Bento
Ê a cobra me morde
Aa a cobra me morde
Ê a cobra me morde
Ê a cobra mordeu
Ê a cobra que morde
Ê a cobra é malvada
Ai a cobra me morde
Íí a cobra me morde
Íí a cobra me morde
Íí a cobra me morde
Ai a cobra me morde
Ai me mordeu
Íí a cobra me morde
Ai a cobra me morde
Íí a cobra mordeu
Ê a cobra é malvada
Que cobra má!
Ê cobra malvada
Í a cobra me morde
Ê a cobra mordeu
Ê a cobra me morde
Aa cobra mordeu
Íí a cobra me morde
Ai a cobra malvada
Ai a cobra me morde
Ai a cobra mordeu
Ai a cobra me morde
Íí a cobra me morde
Ai a cobra mordeu
Aa a cobra me morde
Íí a cobra me morde
A cobra me morde

O quebra lami camugê
Quebra lami camugê
Macaco
Quebra lami camugê
Íí quebra coquinho dendê
Ê quebra lami camugê
Quebra lami camugê
Ê mi camugê
Ê quebra lami camugê
Ê quebra lami camugê
Ê quebra coquinho dendê
Quebra lami camugê

Mestre Paulo dos Anjos, 1936-1998

TOP

(Read an Interview with Me. Paulo dos Anjos)

I

Igreja do Bonfim
E Mercado Modelo
Ladeira do Pelourinho
E Baixa do Sapateiro
Falar na Cidade Alta
Eu me lembrei do Terreiro
Igreja de São Francisco
E Praça da Sé
Aonde fica as baianas
Vendendo acarajé
Por falar em Itapoã
Lagoa do Abaeté
Camaradinho
Ê viva meu Deus
Iê viva o meu mestre
Ei quem me ensinou
Ei volta do mundo
Ei que o mundo deu
Ei que o mundo dá

Pomba vôou, Pomba vôou
Pomba vôou, gavião pegou
Ê vou m’embora dessa terra
Ê porque já disse que vou
Ê se eu não sou querido aqui
Ê na minha terra eu sou
Ê pomba vôou, gavião pegou

Quem nunca viu, venha ver
Ai meu Deus licurí quebrar dendê

II

[O] mundo de Deus é grande
Deus tá nu[m]a mão fechada
O pouco com Deus é muito
E o muito sem Deus é nada
Noite de escuro não serve
Pra caçar de madrugada
Caçador dá muitos tiros
De manhã não mata nada
Veado corre é pulando
Cutia corre é na tri[lh]a
Se eu fosse governador
Ô, manobrasse Bahia..
Marinheira absoluta
Nego pintando arrelia
Isso que marujo faz
Comigo ele não faria
Iê é hora é hora
Iê galo cantou
Iê cocorocou


(See reference: Ontem eu fui ni u'a roda )

Ontem eu fui ni u’a roda
Um moleque me chamou pra jogar
Eu que sou desconfiado, mas
fiquei bem de parte a reparar
O que estava escrito na camisa
Era um tal de Besouro Mangangá

Ê ê, ê á
Era um tal de Besouro Mangangá

Sai sai Catarina
Saia de lá, venha ver Idalina
Ei Catarina minha nega
Ei Catarina venha cá
Mas Ô que saudade danada
Ai meu Deus, se não vir vou lhe buscar
Oi custe lá o que custar
E saia de lá, venha ver Idalina

III

Não tem o que fazer
Para viver nesse mundo
Se andar limpo é malandra
Se andar sujo é imundo
Mundo atrapalhado
Além de tudo, enganoso
Se comer pouco é mesquinho
Se comer muito é guloso
Se conversa é falastrão
Ai meu Deus, se não conversa é manhoso
Me criei pelo mundo
Do mundo que eu tive ensino
Quando apanha é covarde
Quando mata é assassino
Camaradinha
Iê é hora, é hora
Iê galo cantou
Iê cocorocou

Eu conheci Mestre Bimba
Conheci Canjiquinha
E também Seu Maré
Ele me disse um dia:
“Capoeira é pra homem,
menino e mulher”
É é

“Pra menino e mulher...”

E baraúna caiu, quanto mais eu
Baraúna caiu, quanto mais eu
Ei valha-me Nossa Senhora
Ei mãe de Deus da Conceição
Ei me livre dessa senhora
Mas isso é a imagem do cão
Quanto mais eu, quanto mais eu
Eu vou me embora dessa terra
Ai meu Deus porque já disse que vou
Mas eu não sou querido aqui
E na minha terra eu sou
Quanto mais eu, quanto mais eu
Quanto mais eu, quanto mais eu
Quanto mais eu, quanto mais eu

IV

Ele disse que eu sou covarde
Diz até que eu tenho é medo
Minha mãe me avisou
Se tu(?) jogar capoeira
Tu se cuida enquanto é cedo
Galinha do olho só
Procura o poleiro cedo
Respondi pra minha mãe
Goteira(?) de bica fina nunca vai
furar rochedo
Água de beber
Goma de engomar
Iê ferro de passar

O iaiá, meu senhor mandou chamar
Meu senhor mandou chamar
Do Mercado Popular
Tô jogando capoeira,
Só vou lá quando acabar
Puxa, puxa, leva, leva
Jogue p’o lado de cá
Mas quem não pode não intima
O iaiá, deixe quem pode intimar
Eu dei um nó, guardei a ponta
Você não vai desatar, o iaiá
Se é de morrer Marcelino, o iaiá
Morra a mulher do Marça, o iaiá
É se é de morrer quem dá gosto, o iaiá
Morra quem gosto não dá, o iaiá
Mas meu senhor mandou chamar,
ô iaiá, do Mercado Popular, ô iaiá
Eu tô jogando capoeira, diga a ele
que eu vou já, ô iaiá
Tô jogando capoeira no Mercado
Popular

V

Olha aí, rapaziada: Minha vida é um livro aberto. O meu nome é Paulo dos Anjos, nascido em Sergipe, criado na Bahia. Filho criado sem pai, por uma mãe pobre, muito sofrida. Comecei a aprender a capoeira em ’50, com o mestre Canjiquinha, apesar de que o primeiro capoeirista que eu conheci foi o mestre Bimba, se eu era criança, ali numa varanda(?). E hoje em dia eu tenho uma academia ali no quilômetro 17, é um trecho lá que pertence ao bairro de Itapoã. Tive academias em São Paulo, tenho bons alunos, vivi uma vida boa. E continuo enfrentando essa vida que eu gosto, essa vida de capoeira. Pra mim é uma beleza. Que conto com a ajuda dos meus amigos, porque eu tenho bastante amigo pelo Brasil afora. E o que eu aconselho a vocês é tomar como exemplo tudo o que eu faço: não criar probrema, não ser probremático, que capoeira não é nada do que o povo fala por aí. É beleza. Jogando capoeira tem muito doutor—muito mais doutor jogando capoeira do que jogando futebol. Então, portanto, temos que jogar a capoeira.

VI


Dessa arte eu sei um pouco
O mestre quem me ensinou
Depois passei para alguém
Eu tenho bons professor
Todos são bem educado
Eu vou provar pra o senhor
Me orgulho dessa arte
Foi Deus quem me ajudou
É mandingueiro
Ei sabe jogar
Iê joga-te pra lá
Iê joga-te pra cá


Iê bem-te-vi botou
Gameleira no chão

Botou botou
Mandou botar
Tornou botar

Quem nunca viu venha ver
Licurí quebrar dende

Ê paraguá
Paraguá paranauê, paraguá
Vou-me embora que é de noite
Tenho mata que passar
Ê faço dos olhos candeia
Ê para sopada num dar
Paraguá paranauê, paraguá
Paraguá paranauê, paraguá


Ê dá, dá, dá no nego

No nego você não dá (diz!)
Ê mas se der tem que apanhar

Pega esse gunga me venda ou me dê
O gunga é meu mas não dá pra vender
Foi pai que me deu so não dá pra vender
O meu mestre deu so não dá pra vender
O gunga é meu eu não posso vender
Esse gunga é meu, esse gunga é meu

Ô, foi meu mestre que me deu

No estado da Bahia
Existia um cidadão
É por demais conhecido
E todo mundo [ou]viu falar
No Besouro Mangangá

Ê, todo mundo viu falar
E o Burguês já viu falar
Ê, Itapoã já viu falar
E o Nininho viu falar
Ê, Suassuna viu falar
Ê, Canjiquinha viu falar
E o Tabosa viu falar
E o Zulu já viu falar
E o Peixinho viu falar
E eu também já vi falar
E o Marlon viu falar
Ê, eu também já vi falar
E o Sateli viu falar
O[s] meus aluno[s] viu falar
Ê, eu também já vi falar
E eu também já vi falar
E eu que não estava lá

Êê zum zum (zum)
Acabaram com o samba
E já mataram um
Ah minha mãe, aí vem o home
Ô minha filha, deixa vir
Mas eu não devo nada ao home
E nem o home deve a mim
Ê é vem a cavalaria
Ê da Donzela Teodora
Em cada cavalo uma moça
E na sela, duas senhora
Acabaram o samba
E já mataram um

Abalou capoeira, abalou
Abalou, deixa abalar
Mas quem quiser moça bonita
Mas vá na Ilha de Maré
Em uma mão quebro bolacha
E a outra eu bebo café
Em casamento não falei
Mas fica quando Deus quiser
Abalou, deixa abalar

Jogo de dentro, jogo de fora
Valha-me Deus, minha Nossa
Senhora
Esse jogo é Angola, esse jogo é
Angola
Ele é São Bento Grande,
Ele não é Angola
Ele é jogo de dentro, esse jogo é de fora
Ô levante esse jogo, por Nossa Senhora
Esse jogo é São Bento, esse jogo não é Angola

Valha-me Deus, Senhor São Bento
Ai meu Deus,
Vou jogar meu Barravento
Eu vou jogar meu Barravento
Ê vou jogar meu Barravento
Quando vê cobra assanhada
Não meto o pé na rodia
Que a cobra assanhada morde
E eu sendo a cobra, eu mordia
Ê vou jogar meu Barravento

Mestre Waldemar, 1916-1990

Eu me chamo Waldemar Rodrigues da Paixão, conhecido como mestre Waldemar do Pero Vaz. Sou um dos velhos capoeiristas, como chamam; não estou jogando mais. Tenho quarenta e seis anos de capoeira, de ensino da capoeira e quatro que levei aprendendo. Me considero o mais velho capoeirista da Bahia; depois de Bimba e Pastinha sou o mais velho. Eu tive quatro mestres. Tive Siri de Mague, capoeirista velho, já é morto. Canário Pardo, Ricardo e um por nome Talabi. Porque todos os mestres que eram bons eu pedia pra me ensinar, então a gente tem que dar valor a todos os quatro, porque eu aprendi com os quatro. Aprendi capoeira em 1936, levei quatro anos aprendendo. Em 1940 eu peguei a ensinar aqui no Pero Vaz.

O esporte da capoeira deu em minha mente, eu fiquei gostando. Como a gente quando vê uma mulher e gosta, se apaixona, assim eu me apaixonei pelo esporte da capoeira. E até hoje guento mão dela. Tenho amor ao esporte da capoeira.

Eu vendo uma roda de capoeira lá no Periperi, tinha aqueles mestres velhos, antigos, então eu pedi pra aprender. Naquele tempo não existia academia tinha outra roda no Periperi e a academia era onde tivesse uma sombra boa, fazia aquele ringue e então vinha capoeirista de tudo quando era lugar. Não precisava avisar, todos sabiam que domingo a tarde o esporte era capoeira. Cada um levava seu berimbau, quem tinha berimbau levava. Eles tinham aquele ranço de bondade, quem tinha berimbau levava, quem não tinha, não levava, mas era assim.

Quem me ensinou a tocar foi Siri de Mangue. Cantar a gente canta, ninguém ensina a cantar. Pode ensinar, mas não tendo voz não adianta. Se você não tiver voz, eu não posso ensinar. Porque eu canto de um jeito, eu canto entoado, ele já canta desentoado, então não quero que digam que ensinei bobagem a alguém. A voz, a gente nasce com ela.

No meu tempo, quando capoeirista levantava o pé, ele sabia que ia pegar. Ai voltava o pé, não precisava pegar mesmo. Aqueles rabos-de-arraia pra tirar pescoço, aquilo eu cansei de dar. Eu marcava três vezes, na quarta eu soltava. Depois das três, você já estava ativo pra se defender, porque aqueles rabos-de-arraia, se você dá logo de uma vez e ele não espera, recebe no pé-do-ouvido, cai e não levanta mais. Então a gente faz aqueles enganos.

Mas isso pertence ao Angola, ao Jogo de Angola. Faz que vai, volta o pé, engana, quando o camarada já esta acostumado, acostumou três vezes vendo aquilo e ele não solta, quando ele não espera é que vem.

Já hoje é assim: vum vum, rabo-de-arraia, cinco, seis, o nego não sabe o que tá fazendo, tá desentendido ali, cada um cuidando de si. Angola não, é diferente. Você vai, sabe o que esta fazendo o seu adversário também sabe. Estão se entendendo. Quando um marca de uma forma, o outro marca de outra.

No meu tempo, mestre era muito respeitado. A minha roda, os meus alunos, eles me respeitavam muito, os meus. Eles não eram bestas de fazer nada fora do meu mandado.

1. RIACHAO TAVA CANTANDO
(See reference: Peleja de Riachão com o Diabo, 1899)

Riachão tava cantando
Riachão tava cantando, ô meu bem
Na cidade do Açu
Quando apareceu um negro, ô meu bem
Da espécie de urubu
Tinha camisa de sola
Calça de couro cru

Beiços grossos e virados, ô meu bem
Como a sola de um chinelo
Um olho muito encarnado
O outro bastante amarelo
Ele chamou o Riachão, ô meu bem
Para vim cantar martelo

Riachão arrespondeu
- Eu aqui não tô cantando, ô meu bem
Com negro desconhecido
Ele pode ser cativo
E andar aqui fugido
Camaradinha
Aruandê
Vamo-nos embora
Pelo mundo afora
O galo cantou(…)

2. NEGA, O QUE VENDE AÍ?

Ô nega, o que vende aí, vende aí, o que vende aí?
- Ô nega o que vende aí?
Arroz de Maranhão
- Ô nega, o que vende aí?
A moça mandou vender
- Ô nega, o que vende aí?
Arroz de Maranhão

3. SIRI DE MANGUE


Iê, mas abre os ólho siri-de-mangue
Abre os ólho siri-de-mangue
Todo o tempo não é um
A maré de março, ô meu bem
É maré de gaiamum
Entre grandes e pequenos
Hoje não me escapa um
Siri tá se vendo doido, ô meu bem
Na presa do gaiamum
Camaradinho
Aquinderreis
Iê, aquinderreis, camará
A, ai, ai, a
Aquinderreis
La la li la li la
Aquinderreis
A, ai, ai, a
Aquinderreis

4.OLHA O HOMEM QUE EU MATEI

E, e, e, e e, olha o homem que eu matei
Na cadeia eu não vou
E, e, e, e e
Olha o homem que eu matei
E, e, e, e e
Era um fino disordeiro
E, e, e, e e
E um fino matador
E, e, e, e e
Ô mi'a mãe, eu vou-me embora
E, e, e, e e
Por esse mundo de Deus
E, e, e, e e

5.DENTE DE OURO


Ela tem um dente de ouro
Ela tem um dente de ouro, ô meu bem
Foi eu quem mandei botar
Eu vou rogar uma praga
Pro dente se quebrar
Dela eu não me alembro, ô meu bem
E não quero me alembrar
Das horas amargurada, ô iaiá
Com ela eu conversava
Na beira de uma praia
E um bonito luar
Ela sempre me jurando, ô meu bem
Que a outro não amava
Vim da Ilha de Maré
Jogar em Santa Rita
Duas coisas nesse mundo
Que meu o coração palpita:
É um berimbau vozeiro
E uma moça bonita
Camaradinho
Aquinderreis
Iê, aquinderreis, camará
Vamo-nos embora
Iê, vamos embora, camará
Pela barra afora
Iê, pela barra afora, camará
Rio de Janeiro
Iê, Rio de Janeiro, camará
Estado da Bahia
Iê, Estado da Bahia, camará

6.NÃO SEI COMO SE VIVE

Eu não sei como se vive
Eu não sei como se vive, ô meu bem
Nesse mundo enganador
Fala muito é falador
Se fala pouco é manhoso
Come muito é guloso
Come pouco é suvina
Se bater é desordeiro, ô meu bem
Se apanha ele é mufino
Trabalho tem [o] marimbondo [de]
Fazer casa no capim
Vem um vento, leva ela, ô iaiá
Marimbondo leva fim
Caveira, quem te matou, ô meu bem?
Foi a língua minha, sinhô
Eu te dava conselho
Pensava ser ruim
E eu sempre te dizendo
Inveja matou Caim
Camaradinho
Aquinderreis
Iê aquinderreis, camará
Ai ai ai
Ai di lê lê
Ai ai
Ai di lê lê
Ai ai ai
Ai di lê lê

7. MARIMBONDO ASSANHOU

E e e, marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Marimbondo me mordeu
Pelo sinal
Marimbondo assanhou
Pelo sinal
Marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Marimbondo, marimbondo
Pelo sinal
Marimbondo, marimbondo
Pelo sinal

8. QUATRO COISA NESTE MUNDO

Quatro coisas neste mundo
Quatro coisas neste mundo
Que aperreia o cidadão
Uma casa com pingueira
E um cavalo chotão
E u'a mulher ciumenta
E um menino chorão
Tudo isso se dá jeito
O cavalo eu negoceio
Menino se aquelenta
Casa eu reteio
E a mulé me cai na peia
Camaradinho
Aruandê
E, Aruandê, camará
Água de beber
Iê, água de beber, camará
Ferro de bater,
Iê, ferro de bater, camará

9. Ê, SANTO AMARO

Ê, Santo Amaro, vou ver Lampião na moita
Ê, Santo Amaro, vou ver Lampião na moita
Vou ver Lampião na moita
Eu vou ver Lampião na moita
Ê, Santo Amaro, vou ver Lampião na moita
Meu cumpade amarra o bode
Que eu também amarro o meu
Ê, Santo Amaro, vou ver Lampião na moita

10. QUEBRA GEREBA

Quebra, quebra gereba
Quebra tudo hoje, amanhã o que é que quebra?
Quebra, quebra gereba
Quebra tudo hoje, amanhã nada quebra
Quebra, quebra gereba
Quebra tudo hoje, amanhã oque é que quebra?
Quebra, quebra gereba
Quebra tudo hoje, amanhã nada quebra
Quebra, quebra gereba
Quebra tudo hoje, amanhã o que é que quebra?

11. PEDRO CEM
(Read Cordel: A Vida de Pedro Cem, ca. 1889-1917, and its History )


Lá no céu vai quem merece
Lá no céu vai quem merece
Na terra vale quem tem
A soberba combatida, ô meu bem
Foi quem matou Pedro Cem
Deus é pai de nós todos
E eu não sou pai de ninguém

- Lá se foi minha fortuna!
Exclamava Pedro Cem
- Onte' eu fui milionário
Já tive e hoje não tenho
Só na uma campa fria
Hoje eu taria bem

Ele dizia nas portas:
- Uma esmola a Pedro Cem
Que já teve, hoje não tem
A quem eu neguei esmola
Hoje me neguem também

- Nasci num berço dourado
Criei-me num colchão macio
Hoje eu morro no relento
Neste imundo e chão frio

A justiça examinando
Os bolsos de Pedro Cem
Encontrou uma mochila
Dentro dela um vintém
E um letreiro que dizia
"Já teve, hoje não tem"
Camaradinho
Aruandê
Iê, Aruandê, camará
Iê, Aruandi
Iê, Aruandi, camará

12. JÁ CANTO HÁ MUITOS ANOS


- Eu já canto há muitos anos
Eu já canto há muitos anos
Não vou em toda função
Arranco ponta de touro, ô meu bem
Quebro a fúria de leão
Nunca achei ciente, ô meu bem (?)
Que pra mim tivesse ação

O diabo respondeu:
- O senhor hoje fica sabendo
O peso de um cantador
A mim rodeia obediência
Conhecer o meu valor
Quando me ver de outra vez
Me chama de professor, ha ha ha

- Me diga de onde veio
Me diga pra onde vai
Se é casado ou solteiro
Que trabalho você faz

O diabo respondeu:
- Eu não tenho superior
Sou filho da liberdade
Eu não conto minha vida, ô meu bem
Pois não há necessidade
Eu não sou foragido
Nem vocês é autoridade
Camaradinho
Ai, galo cantou
Iê, galo cantou, camará
Iê, cocorocou
Iê, cocorocou, camará
Ai, água de beber
Iê, água de beber, camará

13.ABC DE VILELA
(Read Cordel: Cantiga do Vilela, 1921)


Senhores peço licença
Senhores peço licença, ô meu bem
Pra cantar uma história
Do valente Vilela, o meu bem
Trago sempre na memória
Ele tolou (?) quinze anos
Sempre alcançando a vitória

Ali tinha um capitão, ô meu bem
Um sujeito muito ousado
Disse: - Eu vou na Serra Torta
Trago Vilela amarrado

N'outro dia bem cedo
Marcharam para o lugar
Onde morava Vilela, ô iaiá
O povo foi ensinar

Chegou lá o capitão
Mandou a casa cercar
Cercaram ali a casa
Ficaram de prontidão
- Vilela, abre a porta, ô meu bem
Por ordem do capitão
Você hoje sai daqui, ô meu bem
Direitinho para prisão

Vilela tava em casa
Sem nada disso saber
Disse: - Vocês vão s’embora
Não venha me aborrecer
Responda-me soldado, oi iaiá
'Matar ou morrer?
Responda-me soldado:
Se veio matar ou morrer?

O soldado arrespondeu:
- Não vim matar e nem morrer
Tá enganado o sujeito
Em ordem do delegado, ô meu bem
Por força de juiz de direito (?)
Você hoje me dá conta
Das mortes que já tem feito

- Eu aqui na Serra Torta
Já brigo pel'um comum
Por mim quem mata cem
Também mata cento e um!
Camaradinho
Aquinderreis
Iê, aquinderreis, camará

14. COBRA ASSANHADA


Quando vê cobra assanhada
Iê, cobra assanhada, ô meu bem
Não bote pé a rodia
A cobra assanhada morde
Se eu fosse cobra, mordia
Cachorro que engole osso, ô iaiá
N’alguma coisa se fia
Ou na guela, ou na garganta
Ou em outra travessia
Prenderam Pedro Mineiro
Dentro da Secretaria
Para dar depoimento
Daquilo que ele não sabia
Camaradinho
Aruandi
Ê, Aruandi, camará
Vamo-nos embora
Ê, vamos-nos embora, camará
Ai ai ai ai, o lê lê
La la li la i la
O lê lê
A ai ai ai
O lê lê

Mestre Pastinha, 1889-1981

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Ê, maior é Deus
Ê, maior é Deus, pequeno sou eu
O que eu tenho foi Deus quem me deu
O que eu tenho foi Deus quem me deu
Na roda da capoeira, ha hai, grande e pequeno sou eu

Bahia, nossa Bahia, capital é Salvador
Quem não conhece a capoeira não pode dar o seu valor
Capoeira veio da África, africano quem a trouxe
Todos podem aprender, general também doutor
Quem desejar aprender, venha aqui em Salvador
Procure o Mestre Pastinha, ele é o professor, iê viva meu mestre...

ê Dona Alice não me pegue não
Não me pegue, não me agarre, não me pegue, não...

Ê, canarinho d’Alemanha quem matou meu curió?
Quem tem fé em Deus, nunca cai em bozó...
O segredo da lua quem sabe é o clarão do sol...

Valha me Deus, Senhor de São Bento
Vou cantar meu Barravento...
Buraco velho tem cobra dentro...
Ê, com uma e duas...?????
Capoeira com Angola...
Esta é minha opinião...
Eu tanto jogo para cima...
E também jogo para o chão..

Ê, cidade de Assunção, capital do Itamaraty
É engano(?) das nações, dessas culturas do Brasil
Veio da África pra mostrar capoeira do Brasil

Eu já vivo enjoado de viver aqui na Terra
Com mamãe eu vou pra lua, falei com minha mulher
Ela então me respondeu, nós vamos se Deus quiser
Vamos fazer um ranchinho todo cheio de sapé
Amanhã às sete horas, nós vamos tomar café
E que eu nunca acreditei, não posso me conformar
Que a lua vem à Terra, que a Terra vai ao ar
Tudo isto é conversa, vão comer sem trabalhar
O senhor amigo meu, veja bem o meu cantar
Quem é dono não ciúma, quem não é quer ciumar
Iê, galo cantou...

Oi, quebra gereba
Quebra
Oi quebra tudo hoje...
Amanhã quem te quebra...

Dona Maria que vende aí
Côco, pipoca que é do Brasil...

Quando eu morrer, me enterre na Lapinha
Calça culote, palitó almofadinha
Adeus Bahia, zumzumzum cordão de ouro
Eu vou partir porque mataram meu Besouro
Ê zumzum zumzum - Ê Besouro

Menino preste atenção no que eu vou dizer:
O que eu faço brincando, você não faz nem zangado
Não seje vaidoso e nem despeitado
Na roda da capoeira, ha ha, Pastinha já está classificado

Eu vou ler o be-a-bá, be-a-bá do berimbau
A cabaça e o caxixi, colega velho, com um pedaço de pau
A moeda e o arame, colega velho, aí está um berimbau.

Mestre Caiçara, 1923-1997

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I. CAPOEIRA DE ANGOLA

Iê tava em casa
Iê tava em casa
Sem pensar sem imaginar
Delegado no momento
Já mandou foi me intimar
É verdade meu colega
Com toda diplomacia
Prenderam Seu Caiçara
Dentro da Secretaria
Pra dar depoimento
Daquilo que não sabia
Minha mãe tinha três filhos
Eu era o mais sossegado
Saía boca da noite
Chegava de madrugada
Na roda da capoeira
Nunca dei meu golpe errado
Haha viva meu Deus
Iê sou mandigueiro
Iê sou mandinga
Iê quer me vender
Iê quer me vencer
Iê galo cantou
Iê cocorocou – camará
Iê volta do mundo – camará
Iê que o mundo deu
Iê que o mundo da

Ê Santa Maria Mãe de Deus
Cheguei na igreja, me confessei

É chora minino
Nhem, nhem, nhem

É minino chorou
Cala a boca minino
É minino chorou

E é tu que é moleque
Muleque é tu

Panha laranja no chão tico-tico
Se meu amor for s’embora eu não fico

Ai ai aidê
Joga bonito que eu quero aprender

II. SÃO BENTO GRANDE


O Brasil disse que tem
O Brasil disse que tem
O Japão disse que não
Uma esquadra poderosa
Pra brigar com os alemão
Dei meu nome agora eu vou
Ai, num sorteio militar
Meu Brasil já tá na Guerra
Meu dever é ir lutar
A marinha é de guerra
O exército é de campanha
O bombeiro apaga o fogo
Os estrangeiro é quem apanha
Ê viva meu deus
Ê vamo-nos embora
Ê pela barra afora
Iê galo cantou
Iê cocorocou
Iê volta do mundo
Iê que o mundo deu
Iê que o mundo dá

Camugerê como tá, como tá?
Camugerê
Como vai voismecê?

Ê Besouro
Cordão de ouro

Halai laila –
olelê

III. SÃO BENTO PEQUENO

Iê vou me embora pra Bahia
Vou me embora pra Bahia
Vou ver se dinheiro corre
Se dinheiro não correr
Oi de fome ninguém não morre
Eu nasci naquela terra
Naquela terra eu me criei
Oi que terra hospitaleira
Nessa terra eu morrerei
Minha mãe tá me chamando
Ó, que vida de mulher
Quem toca pandeiro é homem
Quem bate palma é mulher
Lá no céu tem três estrelas
Todas as três em carreirinha
Uma é minha, a outra é sua
Outra vai ficar sozinha
Iê viva meu deus
Iê sou mandigueiro
Iê sou mandinga
Iê jogue pr’ali
Iê jogue pra cá
Iê é cabeceiro
Iê sabe jogar
Iê viva meu mestre
Iê quem me ensinou
Iê foi Aberrê
Iê viva Seu Bimba
Iê viva Pastinha
Iê vamos embora
Iê é hora é hora

Vou dizer ao meu senhor
Que a manteiga derramou

E a manteiga não é minha
E a manteiga é de ioiô

IV. SAMBA DE RODA

E samba no mulher é
Oi mulher
Mulher, bicho danado
Danada pra falar
Marido não tá em casa
Mulher dá pra brigar
É samba no mulher é
Oi mulher
Mulher cabeça de vento
Juízo mal governado
Assim como Deus não mente
Mulher não fala a verdade

XI. PISA NA LINHA LEVANTA O BOI

Pisa na linha levanta o boi
Levanta meu boi do chão
Amanhã é dia Santo
Dia de corpo de Deus
Oi quem tem roupa, vai na missa
Oi quem não tem, faz como eu
Oi minha mãe tá me chamando
Oi que vida de mulher
Quem toca pandeiro é homem
Quem bate palma é mulher
Ei a mulher quando não presta
Encontra o homem no caminho
Oi isso é coisa alucinada
É coisa de falar baixinho
(Oi deve se falar baixinho)
Oi levanta levanta
Pisa na linha levanta o boi

Professor Tigri, b. 1977

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MANERA

'N kre prende -Bu manera
Dexa'n mostrou - Nha manera
Bu bem goza -Nos manera
Nu Respeita - Ses manera

Na nos roda di Capoeira
Indiferensia ka tá mora
Indiferensia ka tá manda
Indiferensia ka tá ganha

Capoeira e bonitu dimas
Konsentra na se beleza
E um kultura personal
Kada um ku se manera

QUE VIVE P'RA SEMPRE

Quero vos contar
Acerca d'um mestre
Quem nos abencuou
E nos ensinou
Capoeira – Regional
Capoeira – Regional

O Deus,
Quero te agradecer
Por ters dado a Bimba
A inspiração de criar
E de ensinar
Capoeira – Regional
Capoeira – Regional
Que vive p'ra sempre
Vamos Orar
Que vive p'ra sempre
Capoeira

Quero vos contar
Acerca d'um mestre
Quem nos abencuou
E nos ensinou
Capoeira – Angola
Capoeira – Angola

O Deus,
Quero te agradecer
Por ters dado a Pastinha
A corage de guardar
E preservar
Capoeira – Angola
Capoeira – Angola

Quero vos contar
Acerca d'um grupo
Quem nos abencuou
E nos ensinou
Capoeira – BCV
Capoeira – BCV

O Deus,
Quero te agradecer
Por ters dado a Grupo Ondas
O querer de criar
E compartilhar
Capoeira – BCV
Capoeira – BCV

TXIGA PA LI

Txiga pa li pan bem kontou
Txiga pa li pa bu bem sabi
Txiga pa li pu bem odja
Nos Capoeira
Txiga pa li- Pu bem obi
Txiga pa li- Pa bu bem sabi
Txiga pa li- Pan bem kontou
Txiga pa li- Di Capoeira
Txiga pa li - Pan bem mostrou
Txiga pa li - Ye – nos manera
Txiga pa li- Pu bem xinti
Txiga pa li- Nos amizadi
Txiga pa li

Txiga pa li pu bem xinti
Mo ki txon tá tremi
Djunta ku nos pu bem kurti
Nos Capoeira

Txiga mas pertu li na frenti
Vibra ku nos y bu bem kola
Bem fazi bu parti ku vingansa
Nos Capoeira

PUXA

Dipos d'un trenu assi, nu tá kansa, sim nu tá
Soru tá baza ma korpu ka kre para
Ma na mumentu suma keli, nu tem ki esforsa
Djobi dentu di bo pa bu atxa kel forsa
Puxa - Ka bu para
Puxa - Nen su kansa
Puxa - Ba tá puxa
Puxa - Ba tá xuta
Puxa - Ba tá grita
Puxa - Ba tá bua
Puxa - Ba tá kanta
Puxa - Ba tá torra –
Yé Umm - Nu ka podi para
Umm - Nen su kansa nu tá
Umm - Roda sa tá txoma
Umm - Enton nu ten ki esforsa
Umm - Roda sa tá txoma
Umm - Enton nu ten ki esforsa
Umm - N tá umm bu tá
Umm
Alenu li na roda kansadu pa fronta
Pernas tá treme, kabesa oh tá tonta
Ma e na mumentu suma keli nu tem ki esforsa
Djobi dentu di bo y bu buska kel forsa

Konsentra na muvimentu suma um Tigri na trabadju
Kabesa entri onbrus ku lumi na bariga
Ku bus odjus ragaladu ba tá presta atenson
Oh Djobi dentu di bo, pa bu atxa mas forsa

Mestre Liminha, 1964-2005

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Liminha taught me this song
back in ’96 in a very loud bar.
I never made out the melody
and the words are those I remember.
If anyone has a recording of it
or knows better, let me know!

Eu não briguei, botei
Eu não briguei, botei
Vinte pra correr
Tava eu e meu camarado
Quando nós fomos cercados
Por uma grande multidão
Tavam de faca, de porrete, e de facão
Eu disse pro meu camarada:
“Sinto não poder brigar;
Tenho a espinhela caída,
Tenho o braço fraturado”
Mas na gingada que eu dei
Vinte correram e dez ficaram
Deixei pro meu camarada,
Que era bom de capoeira,
Resolver toda a parada
Deu meia-lua, deu rasteira
Deu martelo e cabeçada
Iê menino é bom...

Mestre Canjiquinha, 1925-1993

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Meu nome é Washington Bruno da Silva, conhecido como Canjiquinha ou mestre Canjiquinha. Nasci em 1925, 25 de Setembro, no Maciel de Baixo, bem no centro de Salvador. Aprendi capoeira em 1935 e meu mestre foi o finado Aberrê. Se eu sei alguma coisa, a ele eu agradeço.

Eu era menino, menino. Tinha lá uma baixada chamada Matatu Preto, um morro no bairro do Matatu e lá embaixo tinha um largo, um terreiro. Lá, aos domingos, vinham todos aqueles capoeiristas, vinha Onça Preta, Geraldo Chapeleiro, Totonho Maré, Creoni, Chico Três Pedacos, Pedro Paulo Barroquinha, finado Barboza e esse cidadão chamado Antonio Raimundo, apelidado por todos Aberrê. Todo domingo eu ia la olhar, até que um dia ele me chamou e disse: “Meu fio, venha cá. Cê que aprende capoera?” Eu disse: quero. Então ele mandou eu me abaixar e vupt, deu um chute. Eu depressa dei um pulo pra trás e ele: “Óia, meu fio, a partir de hoje vô lhe ensina.”

A partir desse dia, todo domingo eu tava la e ficava naquela: vai pra lá e vem pra cá, isso é assim, desce pra lá, negativa e queda de rim… E assim ia. Às vezes ele mandava eu ficar em pé e me empurrava. Eu perguntava: “Por que empurra assim?” E ele: “Por que empurra?” e se amanhã cê tiver na rua e um cara lhe empurra? Cê sabe cair?

Lá dava muita confusão, dava barulho, porque lugar com mulher e cachaça é assim. Aí, como diz o baiano, pau quebrava. Então a polícia vinha e todos corriam, mudava pra outro bairro. Depois de um tempo eu já tava acompanhando eles nas outras rodas, ia na Liberdade, no Gengibirra, no Segundo Arco.

Por muito tempo a polícia perseguiu a capoeira, demais. Mas em 1940 ela já estava nas festas de largo, nas festas populares. Naquele tempo quem era da capoeira era o homem do povo, era sapateiro, alfaiate, motorista, eram pessoas escuras, de pouca cultura, mas não eram valentões. A gente fazia aquilo pra se distrair e quem ensinava não tinha interesse financeiro, ensinava por amor.

Um dia eu senti que devia aprender a tocar bem o berimbau. Vi um criolo estivador tocando, mestre Zeca do Uruguaio, e gostei demais. Me aproximei, pedi a ele que me ensinasse. Ele me mandou tocar um pouco pra ele ver e depois só disse: “eu vou lhe ensinar”. A partir desse dia, toda manhã eu ia lá com o meu berimbau, ele tocava o dele, eu tocava o meu. Ele me mostrou como tocar, me ensinou os toques e muitas cantigas, milhares de cantigas, muitas já nem me lembro mais. Me ensinou que o berimbau rege a roda da capoeira, que o capoeirista tem que jogar conforme o ritmo que o berimbau impõe e tem que obedecer a chamada e os avisos do berimbau. Hoje ninguém mais segue: o berimbau tá tocando num ritmo e o capoeirista tá jogando em outro. Antigamente não se falava em jogo, se falava em luta. Ou então a gente chamava: vamos dar uma vadiagem? E ficava lá na roda brincando, se distraindo, era um lazer. E capoeira pra mim é amor, é alegria, é beleza… [São Paulo, set. 85 – set. 86] Mestre Canjiquinha.

1. O MACACO E O LEÃO


O macaco e o leão
O macaco e o leão
Fizeram combinação
O macaco na levada
Dois leão passou a mão
Mariposa não me prenda
Dentro do teu coração
Você tem dente de ouro
Foi eu que mandei botar
Vou te rogar uma praga
Pr’esse dente se quebrar
Ei aquinderreis
Ê, aquinderreis, camará
Ê, mas viva o coro
Ê, mas viva o coro, camará
Viva a Bahia
Ê, viva a Bahia, camará
Ê, volta do mundo
Ê, volta do mundo, camará

2. AI, AI, AIDÊ

Ai, ai, Aidê
Joga bonito que eu quero ver
Ai, ai, Aidê
Oi começa, vai você
Ai, ai, Aidê
Joga bonito que eu quero aprender
Ai, ai, Aidê
Oi já começa, vai você
Ai, ai, Aidê
Joga bonito que eu quero aprender

3. QUANDO EU FUI PRA LIBERDADE

Quando eu fui pra Liberdade
Quando eu fui pra Liberdade
Eu passei pelo Barbalho
Encontrei Getúlio Vargas, oi meu bem
Com o Ministro do Trabalho
A baleia me pediu
Dentro da veneração
Que arpoasse na cabeça, meu bem
Não é nas cadeiras, não
É verdade, Waldemar
Sua palavra valeu
O discípulo deu no mestre, ai meu bem
Capoeira me venceu
Ê, galo cantou
Ê, galo cantou, camará
Ê, cocorocou
Ê, cocorocou, camará
Meta a faca nele
Ê, meta a faca nele, camará
Ele é cabeceiro
Ele é cabeceiro, camará

4. O BRASIL DISSE QUE SIM

O Brasil disse que sim
O Brasil disse que não
O Brasil disse que sim
Mas o Japão disse que não
Duas esquadra poderosa
Pra brigar com alemão
Dei meu nome, agora eu vou
Num sorteio militar
Quem não pode com mandinga, ai meu bem
Não carrega patuá
Quem não pode não inventa, o meu bem
Deixa quem pode inventar
Ê, ai di lê lê
Ê, ai di lê lê, camará
Ê, que vai fazer
Ê, que vai fazer, camará

5. OLHA O NOME DO PAU

Olha o nome do pau é pindombê
Olha a copa do pau
É pindombê
Olha o nome do pau
É pindombê
Olha a copa do pau
É pindombê
Olha a cinza do pau
É pindombê
Olha o nome do pau
É pindombê

6. JOGUEI MEU LENÇO PRA CIMA

Joguei meu lenço pra cima
Joguei meu lenço pra cima
Aparei no canivete
Quem me ensina esta quadra, o meu bem
Foi o Bamba 17
Joguei meu lenço lá em cima
De maduro foi ao fundo
Tirei carta de malandro, o meu bem
Certidão de vagabundo
Na roda da malandragem, ai meu bem
Eu não dei meu passo errado
E, galo cantou
E, galo cantou, camará
E, cocorocou
E, cocorocou, camará
E, viva meu Deus
E, viva meu Deus, camará

7. VOU DIZER A MEU SINHÔ

Vou dizer a meu sinhô
Que a manteiga derramou
Mas a manteiga não é minha
Mas a manteiga é de ioiô
Vou dizer a meu sinhô
Que a manteiga derramou
Mas a manteiga não é minha
Mas a manteiga é de ioiô
Vou dizer a meu sinhô
Que a manteiga derramou

8. ERA EU, ERA MEU MANO

Era eu, era meu mano
Era eu, era meu mano
Era meu mano mais eu
Eu vi a terra molhada, meu bem
Mas não vi quando choveu
Era eu, era meu mano
Quando os dois andava junto
Eu não sei se Deus consente, oi meu bem
Numa cova dois defunto
Dedo de munheca é dedo
Dedo de munheca é mão
Sangue corre pela veia, oi meu bem
Na palma da minha mão
E, aquinderreis
E, aquinderreis, camará
Joga-te pra lá
E, joga-te pra lá, camará
Joga-te pra cá
E, joga-te pra cá, camará

Mestre Toni Vargas, b. 1964

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10. SEM TRADICÃO

Sem tradicão - Eu não quero
Olha sem ritual - Não vai dar
Olha perde o axé - Camarada
Eu não vou jogar!

Olha sem berimbau- Eu não quero
Sem emoção- Não vai dar
Olha perde o axé - Camarada
Eu não vou lá!

Olha com confusão- Eu não quero
Com traição- Não vai dar
Olha perde o axé- Camarada
Oi melhor parar!

Olha sem poesia- Eu não quero
Sem hierarquia- Não vai dar
Olha perde o axé - Camarada
O que é que vai sobrar?

Olha sem amizade- Eu não quero
Sem brincadeira- Não vai dar
Perde o axé - Camarada
Vamo mudar
Vamo mudar
Vamo mudar...

11. FAZ TREMER

Quando eu canto meu canto empolgado
E o coro responde com toda emoção
O berimbau revira ritmado
A turma animada, na palma de mão
Quando o atabaque e o pandeiro
Vêm sem desespero dando a marcação
E os caboclos jogando bonito
Com força e magia
Treme até o chão

Faz tremer, faz tremer
A mandinga que faz o chão tremer
Tô falando o que faz o chão tremer
Ah o gunga que faz o chão tremer
Olha o médio que faz o chão tremer
O atabaque fazendo o chão tremer
O pandeiro é que faz o chão tremer
Esse coro é que faz o chão tremer
Cantador é que faz o chão tremer..

19. VEM CÁ

Se você tá em casa tão triste
Não tem como se expressar
Uma dor apertando o seu peito
A vontade sem jeito de chorar
Eu vou lhe dizer uma coisa
O remédio que vai lhe curar

Tô chamando, vem cá!
Vem cá
Vem jogar capoeira
Vem cá
Éla é brasileira
Vem cá
Capoeira é cultura popular

Por favor venha cá
Vem jogar capoeira
Éla é brasileira
Ô lalaê lala êlá

Tô chamando, vem cá!
Vem jogar capoeira
É maneira faceira
Ela é o remédio que vai lhe curar

Tô chamando, vem cá!
Jogar capoeira
Ela é brincadeira
Capoeira é cultura popular

Por favor venha cá
Jogar capoeira
Vem plantar bananeira
É o remédio que vai lhe curar

Tô chamando, vem cá!
Jogar capoeira
É maneira faceira
Sei que você vai gostar

Por favor, venha cá
Jogar capoeira
Vem pular, dar rasteira
É o remédio que vai lhe curar

23. CALMA RAPAZ

A violência é uma falta de recurso
É quando o homem faz mau uso
De todo o seu potencial
Fica longe de Deus
Da tradição, da capoeira
Fecha o coração
Só faz besteira
Acaba se dando mal

Oi Calma, calma rapaz
Capoeira é de negro
Não de capataz
Calma, calma rapaz
Capoeira é amor
Harmonia e paz
Calma, calma rapaz
Vamos mais devagar
Que assim não se faz
Calma, calma rapaz
Lembre só de você
A um tempo atrás

Mestre Joel, b. 1944

TOP

Chuva, chuva miudinha
Recaída na copa do meu chapéu
Nossa Senhora, me livre
Que o nego não vai no céu
Todo branco quer ser rico
Todo mulato é rampimpão
Todo nego féticero
Parece um cigano ladrão
Haha
Ee galo cantou
Ai viva meu mesti
Ee viva Aberrê
Ai volta do mundo...

Quando eu tinha meu dinheiro
Camarado me chama de parente
O dinheiro se acabou
Camarado me chama de valente
Haha
Ee menino é bom
Ai viva meu mesti
Ai que m’ensinou
Eei a capoeira
Ai volta do mundo..

Mestre Camafeu de Oxóssi

TOP

VIII.

Paranáuê ê, Paranáuê, Paraná
Paranáuê, Paraná, Paraná ê, Paraná
Paranáuê, Paranauê, Paraná

Vou m’embora pra favela
Como eu já disse que vou, Paraná
(Se eu) não for na lancha verde
Vou neste rebocador, Paraná
É de vera que o morro
Se mudou para a cidade, Paraná
Batuque todo dia
Mulata de qualidade, Paraná
Ê Paranáuê, Paraná
Paranáuê ê, Paraná
Ê Paranáuê, Paraná
Paranáuê ê, Paraná
Vou me embora, vou me embora
Como eu já disse que vou, Paraná
Eu aqui não sou querido
Na minha terra eu sou, Paraná
Cantando com alegria
Mocidade estimada, Paraná
Salve, só falta você
Deixa falar em marujada, Paraná
Pernambuco deu um tiro
Maceió te respondeu, Paraná
Bahia vitoriosa
Do lugar não se moveu, Paraná
Ê Paranáuê, Paraná
Paranáuê ê, Paraná
Valha-me Nossa Senhora
Imaculada Conceição, Paraná
Ai também viva a Bahia
Terra de animação, Paraná
Ê Paranáuê, Paraná
Paranáuê ê, Paraná

IX.



[Quem] Quiser moça bonita
Quiser moça bonita
Vá na Ilha de Maré
Cu u’a mão quebro a bolacha
[Cu’a] Outra tomo o meu café, a ha
Iê Aruandê
Que vai fazer
Com o capoeira
É mandingueiro
É cabeceiro
Sentido nele
Volta de mundo


Ai ai ai ai
A di le lê

Da laí la i lai
A di le lê


Ei Dona Maria que vem de Moitar
Que chega na venda
Que manda botar
Ai ai aidê

Ê joga bonito
Que eu quero aprender
Ê Dona Maria
Como vai voiscê?

X.

Samba no mar
Samba no mar, marinheiro

Samba no mar, marinheiro
Samba no mar, marinheiro
Samba no mar, marinheiro
Samba no mar, estrangeiro
Vou m’embora, vou m’embora
Como eu já disse que vou, marinheiro
Num morro de favela
Visitar o meu amor, marinheiro
Samba no mar, marinheiro
Samba no mar, estrangeiro
Era eu, era meu mano
Era meu mano, era eu, marinheiro
Nós fizemos uma orgia
Nem ele pagou nem eu, marinheiro
Ê samba no mar, marinheiro
Samba no mar, marinheiro
Ê samba no mar, marinheiro
Samba no mar, marinheiro

XI.

Adeus Corina, e dão dão
Vou m’embora, Deus te leve
Adeus Corina, e dão dão
Ê, que me dão para levar?
Oi, levo penas e saudades
Ai coração para te amar
Ê, vou m’embora pra favela
Ê, vou ver sereia cantar
Ai, marinheiro canta em terra
As sereia canta no mar
Dão dão dão dã rão dão
Dã rão dã dão dã rã dão
É de vera que o morro
Ai se mudou para a cidade
Ai um batuque todo dia
Ai mulata de qualidade
Ê dam dam dam dã ram dam dam
Ê vou m’embora, vou m’embora
Ê, que me dão para levar?
Oi, levo penas e saudade
Ê da Ilha do Paquetá
Ê cantando com alegria
Ai mocidade estimada
Ai salve só falta você
Deixa falar e marujada
Dã dã dão dã dã rão dão
Ai vou m’embora, vou m’embora
Ê, que me dão para levar?
Oi, levo penas e saudades
Ai coração para te amar

XII.

Sou eu, Humaitá
Sou eu, Humaitá, sou eu

XIII.

Vou dizer a meu sinhô
Que a manteiga derramou

A manteiga derramou,
Caiu no chão, não se quebrou
A manteiga é de sinhá,
Mas a manteiga é de ioiô
Vou dizer a meu sinhô
Que a manteiga derramou

Mestre Noronha, 1909-1977

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'Quiser ver piedade
Quem quiser ver piedade, ioiô
Vá na grade da cadeia
Muito preso na escura, aiá
Por falta de uma candeia, camará
I, Aquinderreis
Iaiá, é hora, é hora
Aiá, Viva meu mestre
Ilha de Maré
Ilha de Passé (?)
Iaiá, Cobra do morro
Aiá, Morro de São Paulo
Estado de Bahia
Tamo no colégio
Aiá, Carta de ABC
Iaiá, Primeiro livro

Coming soon...

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